letra aberta

dei de voltar a ler poesia. tenho essas fases com a poesia, às vezes preciso de um respiro porque não sinto que tenho a capacidade de me deslocar. às vezes só não quero puxar novelos. há uns meses comprei o último livro do herberto, mas nunca passei do primeiro poema. hoje abri uma página aleatória:

quem é que está continuamente a salvar-me
– de que medo, de que perigo, de que desastre?
mas só quando não me perco é que me afundo
na primeira água de onde venho,
no sal primeiro de onde venho,
e chego a este pouco onde – tão pouco! – me começo e
                                                               me acabo e me salvo

e então vamos deixando o novelo se desenrolar sabendo que ele nunca vai poder voltar a ser enrolado na perfeição porque abrir um livro do herberto é sempre um perigo. nada nunca tem fim, tudo sempre tem fim.

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