califórnia goiabada

hoje comprei uma única goiaba que sozinha me custou 1€. é o mês dos frutos exóticos no pingo doce; as goiabas são caras porque vieram do brasil ou da colômbia, essas regiões exóticas. eu & a goiaba somos portanto exóticas. o frio está lentamente indo embora, as ruas estão cheias de turistas animados com a graça dos azulejos portugueses, um brasileiro berra ‘se vira nos 30’ na porta do café dos mitras aqui da rua. quando saímos do brasil só levamos na mala os nossos clichês? cheguei em casa e guardei as compras todas; deixei a goiaba por último. o cheiro da goiaba me lembra da infância, da goiabeira do rancho, dos bichos nas goiabas, da minha família, das coisas que já não podem ser. choro um pouquinho. segundo o javier marías em seu esplendoroso enamoramientos, luisa alday não quer se refugiar nos momentos felizes que viveu com o marido recém-morto porque a lembrança boa vem seguida da noção da sua morte: “sempre que me lembro de algo bom, no mesmo instante me aparece a imagem última, a da sua morte gratuita e cruel, tão facilmente evitável, tão parva. sim, é o que me faz pior: tão sem culpado e tão parva. e as recordações turvam-se e tornam-se más. na realidade já não me resta nenhuma boa. todas se me revelam ilusórias. todas se contaminaram”.

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fiz uma playlist de primavera:

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