sono de inverno

vim a descobrir que fevereiro é o mês mais difícil & longo do inverno no hemisfério norte. é quando já não se aguenta mais o frio e todo o condicionamento que ele provoca, é quando chove mais, é quando acontece o carnaval no brasil, é quando a vida nos força a uma revisão que não necessariamente queremos fazer.

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ontem vimos o sono de inverno e (felizmente) me é impossível não ver os filmes com olhos feministas. basicamente: um homem que se sente no direito de julgar e manipular todos ao seu redor, um ex-ator que acredita que, na representação de seus altos valores morais e éticos, vai encontrar a grande verdade. fruto de uma sociedade que permite ao homem atingir esse patamar, que o dá esse direito. desde domar um cavalo selvagem para fins decorativos, passando por desconsiderar a vida de um inquilino e sua família, fazer troça de um professor que aponta suas inconsistências éticas, até humilhar a irmã e a esposa, ambas a quem ele sente que as suas verdades serão uma espécie de salvação. nada de novo no front. muito cansaço no front. no fim ele liberta o cavalo, mas não liberta a esposa, personificando todo o mal que ele acredita combater.

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zapeando vi um trecho de annie hall, filme que já considerei como um dos mais bonitos do woody allen, só perdendo pra manhattan. que alívio eu sinto ao ver, com as minhas lentes ajustadas, que woody allen é um arquétipo de homem tão nocivo como os personagens de philip roth (bem lembrado pelo episódio mais recente de girls). quanto tempo passamos acreditando nesse tipo de homem inseguro, egoísta e mesquinho, que cativa as mulheres com um tal humor auto-depreciativo, suga todas as nossas energias e depois vai embora em busca da próxima. esse tipo de libertação é impagável.

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li por aí, sem contexto ou citação, que uma mulher no auge de sua vida fértil não consegue dedicar tempo nenhum a nada que não seja ter filhos, tendo-os ou não. isto talvez justifique a minha falta de energia para ler, escrever ou pensar, além dos sonhos com gravidez e bebês fofinhos mamando em mim. mas talvez seja só o sono de inverno, esse modo de viver que requer muita energia pras tarefas mais simples como levantar da cama, comer e me lavar.

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