i contain multitudes,

como já diria o nosso poetão. mas não sei o que passa, é um frenesi contra a contradição. desde quando coerência vale mais do que contradição? é a semente do apocalipse online, dessa inteligência de wikipedia, um exército de fact checkers da vida alheia; outro dia tiveram a coragem de me dizer que há seis meses eu tinha uma opinião diferente. os detetives da vida pós-moderna sentem que cumpriram mais uma missão quando nos apanham em contradição. eu deveria me envergonhar. como dizem aqui: isso não interessa nem ao menino jesus. o waltão era um egocêntrico e estava cagando e andando, escreveu coisas belíssimas, inspirou outros poetas. era misógino? bastante. aprender a amar uma mulher é das tarefas mais difíceis que essa sociedade nos impõe, não vá ela ser contraditória. quanto tempo a gente perde buscando coerência? tempo demais. waltão podia tranquilamente celebrar-se a si mesmo, mudar de ideia a cada estrofe, ser coerente quando convinha, bradar sua incoerência, escamotear amor com poesia. very well then, que ele nos diz que é tão grande ser mulher quanto ser homem e eu digo que não, waltão, o sr. está enganado. nunca mais li poema sem gênero desde que a virginia me disse que a irmã do shakespeare se matou. teria sido ela uma grande contradição? de que liberdade é essa que nos falam? mas que desinteressante é o perdão só chegar no fim da jornada,

I bequeath myself to the dirt to grow from the grass I love,
If you want me again look for me under your boot-soles.

You will hardly know who I am or what I mean,
But I shall be good health to you nevertheless,
And filter and fibre your blood.

Failing to fetch me at first keep encouraged,
Missing me one place search another,
I stop somewhere waiting for you.

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