dharma

nas tardes de verão
quando o sol vai a pino
ela não quer andar muito
procura uma sombra
faz seu xixi e depois
levanta arrastando as patinhas
e vai cheirar os gatos ressabiados
e escondidos nos canteiros dos vizinhos;
nos cruzamos com um senhor
de fato e chapéu, sorridente
nem eu nem ela entendemos
como pode aquele senhor
de fato e chapéu andar tão sorridente
num calor destes
– é porque somos lindas, digo
ela me olha e pede pra voltar
não quer mais andar
enquanto o sol vai a pino
enquanto eu sonho com
as praias campestres e pergunto
se ela não quer ir comigo tomar
um banho de mar qualquer dia
mas ela me puxa pela trela
sobe as escadas correndo
esfrega o focinho nas paredes
e vai pra pedra da varanda
esfriar a barriga e acompanhar
o escandaloso farfalhar dos passarinhos
e quem sabe apanhar uma mosca
em pleno voo

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