terra perdida

tenho um pouco de nojo
do lugar onde trabalho
parece a casa da velha broni que
fechada por anos acumulou
cheiro de tempo e morte
impregnados nas manchas marrons
ainda visíveis nas paredes recém-pintadas;
todos os talheres têm ferrugens e
a pia tem crostas eternas de gordura
no fundo da privada vê-se um
lodo grosso onde vivem colônias
como na atlântida
os teclados dos computadores foram
contaminados pelos germes já tão
antigos que conversam entre si
como árvores;
de mês em mês as
pessoas ganham
tons de verde musgo
é muito sutil e elas nem percebem
mas a cada dia que vou embora
e volto no outro a seguir sinto
que as carnes brancas das suas
raízes sem pátria estão cada vez
ficando mais verdes

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