sutis e corriqueiras

acordei hoje desconsolada de saudades dos meus discos e livros que ficaram pra trás. principalmente os do joão antônio, sempre. trecho de um dos meus contos favoritos dele, Afinação da arte de chutar tampinhas:

Dias desses, no lotação. A tal estava ao meu lado querendo prosa. (…) Perguntou o que eu fazia da vida. (…) Quase respondi…

– Olhe: sou um cara que trabalha muito mal. Assobia sambas de Noel com alguma bossa. Agora, minha especialidade, meu gosto, meu jeito mesmo, é chutar tampinhas da rua. Não conheço chutador mais fino.

Mas não sei. A voz mulata no disco me fala de coisas sutis e corriqueiras. De vez em quando um amor que morre sem recado, sem bilhete. Ciúme, queixa. Sutis e corriqueiras. Ou a cadência dos versos que exaltam um céu cinzento, uma luva, um carro de praça… se ouço um samba de Noel… Muito difícil dizer, por exemplo, o que é mais bonito – O Feitio de Oração, ou as minha tampinhas.

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