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Eu vagava por uma floresta de pedra cujo centro era o caos; às vezes, no centro mesmo, no coração mesmo do caos, eu dançava e bebia estupidamente, ou fazia amor, ou amizade com alguém, ou planejava uma nova vida, mas era tudo caos, tudo pedra, e tudo irremediável e desconcertante. Até a hora em que encontrasse uma força vigorosa o bastante para me lançar fora do rodopio daquela louca floresta de pedra, nenhuma vida me seria possível, nem poderia escrever uma página que tivesse sentido. Talvez ao ler isto, alguém ainda tenha a impressão de caos, mas isto é escrito a partir de um centro vivo e o caótico é simplesmente periférico, frangalhos tangenciais, por assim dizer, de um mundo que não mais me interessa.

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

 

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