ah, henry

uma das minhas descobertas do ano foi o kindle pro iphone. sempre tive preconceito com e-readers e afins e papagaiei por aí que livro tem que ser de papel, que tem cheiro (geralmente de mofo), textura (papel jornal me dá gastura, por exemplo), que você pode rabiscar, dobrar as páginas e até lamber se for o caso. pois então que ganhei um lindo iphone no começo do ano e um dos primeiros aplicativos que baixei foi o kindle. ele traz alguns títulos gratuitos, coisas como jane austen e semelhantes, evidentemente senti preguiça. procurei, como sempre faço, por henry miller. daí veio uma versão curta, só um gostinho pra você provar e ver se gosta – depois dá pra comprar a versão integral pela bagatela de U$ 3. achei que não fosse dar a mínina, onde é que já se viu ler pelo celular etc. mas henry miller nunca falha. e ler henry miller em inglês podendo consultar o significado de todas as suas mais variadas corruptelas  linguísticas apenas encostando o dedo na tela é uma grande maravilha dessa nossa invariável jornada digital. fora poder marcar o texto e dobrar a pontinha da página. enfim, alguns trechos de “trópico de capricórnio”:

“I sit on the stoop for an hour or so, mooning. I come to the same conclusion I always come to when I have a minute to think for myself. either I must go home immediately and start to write or I must run away and start a wholly new life. the thought of beginning a book terrifies me: there is so much to tell that I don’t know where or how to begin. the thought of running away and beginning all over again is equally terrifying: it means working like a nigger to keep body and soul together. for a man of my temperament, the world being what it is, there is absolutely no hope, no solution. even if I could write the book I want to write nobody would take it – I know my compatriots only too well. even if could begin again it would be no use, because fundamentally I have no desire to work and no desire to become a useful member of society. I sit there staring at the houses across the way.”

“I look at the people brushing by me to see if by chance one of them might agree with me. supposing I intercepted one of them and just asked him a simple question. supposing I just said to him suddenly: “why do you go on living the way you do?” he would probably call a cop. I ask myself – does any one ever talk to himself the way I do? I ask myself if there isn’t something wrong with me. The only conclusion I can come to is that I am different. and that’s a very grave matter, view it how you will.”

2 Respostas para “ah, henry

  1. danadinha!

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