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VI

Que as barcaças do Tempo me devolvam
A primitiva urna das palavras.
Que me devolvam a ti e o teu rosto
Como desde sempre o conheci: pungente
Mas cintilado de vida, renovado
Como se o sol e o rosto caminhassem
Porque vinha de um a luz do outro.

Que me devolvam a noite, o espaço
De me sentir tão vasta e pertencida
Como se águas e madeiras de todas as barcaças
Se fizessem matéria redivida, adolescência e mito.

Que eu te devolva a fonte do meu primeiro grito.

Hilda Hilst – Do Desejo

Uma resposta para “Página 47

  1. Hilda, hildinha. Amor, amor.

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