Twin of myself

Dentro de mim mora uma menina mimada, cheia de quereres infundados, cheia de vontades absurdas, um poço de desejos, transbordamento de moedas enferrujadas. Nosso relacionamento anda um tanto desequilibrado. Ela quer demais, quer tudo, quer agora. Ela só não me diz o que quer e me atropela por tentar sufocá-la, pobre de mim. Ela planeja as mais ardilosas vinganças, me encabula, me faz corar perante ao mundo. Passa como um tufão, um furacão, um tornado, um carro desgovernado em alta velocidade. E a mim sobra limpar a bagunça, a lambança, a sujeirada toda que ela deixa, culpa dessa mania descontrolada de querer demais, querer sem limite, querer por querer. A casa está do avesso, ela deixou panelas e pratos imundos no guarda-roupa, roupas espalhadas pelo chão, cobrindo todos os centímetros quadrados livres dos lindos tacos sintecados; ela pintou com tinta guache as paredes brancas, misturou todas as cores, tudo virou um cinza azedo, desagradável de se ver. Não bastando, ainda jogou comida podre dentro da máquina de lavar e encheu a banheira com restos de bebida e bitucas de cigarro. Quebrou os vidros das janelas, revirou os móveis, rasgou meus livros, quebrou meus discos e foi embora, a menina.

3 Respostas para “Twin of myself

  1. Evil twin.
    Good writing!

  2. Pingback: coisas de ordem maríldica | [anyothershoes]

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