Love street

Relutou em abrir os olhos, não sabia ao certo onde estava e tinha medo de atestar que acordava mais uma vez nos lençóis duvidosos de um estranho. Um zunido incomodava seus ouvidos, em parte pela britadeira na calçada, em parte pelo excesso de bebida destilada consumida na noite anterior. Uns filetes de luz apontavam partes suas deixadas sem cuidado no chão, calcinha, sutiã, um pé da sandália, perdido, sozinho. Do seu lado, um corpo nu descansava, ressonava baixinho. Tentou se lembrar de como tudo tinha começado, certamente a faísca saiu de mais uma discussão fervorosa sobre as diversas versões  que agastavam sua música predileta. Com a visão turva levantou-se em silêncio, alcançou seus pertences em meio ao tumulto empoeirado do quarto. Não sentiu curiosidade a ponto de deixar um bilhete. Afanou um cigarro de um maço amassado no criado mudo. Não era sua marca, mas era uma boa companhia para o trajeto. Em passos leves encontrou um banheiro, refrescou-se, procurou uma porta de saída e discretamente ganhou a rua. Era cedo, verdureiros recebiam novas mercadorias, um velhinho passeava com seu cão. Acendeu o cigarro e caminhou sem pressa até um café qualquer.

Uma resposta para “Love street

  1. Me perdi por aí e acabei aqui. Lindos seus textos.

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