da rotina

O barulho da cidade faz com que ela acorde e se levante da cama.
Num gesto quase que automático, ela calça os chinelos, coloca uma mecha de cabelos atrás da orelha esquerda e vai até o banheiro.
Nem se dá ao trabalho de acender as luzes. ‘Hm, já devem ser umas seis e meia’.
Ela não entende muito bem como as pessoas conseguem funcionar antes das nove da manhã. Mas também não gasta seu tempo tentando entender o que realmente acontece no mundo ali fora.
Aquele mundo cinza, chuvoso e úmido.
Pára na frente do espelho e dá uma olhada no cabelo. Pondera se o tamanho está adequado, se a cor está como deveria estar. Com um gesto lento, levanta os braços e se espreguiça preguiçosamente.
Suspira e caminha até a geladeira. Toma um gole de água e se entristece com o estado usual daquele frigobar – uma relíquia da década de 80 que ficava no quarto de seus pais.
Algumas frutas velhas, uma coca light sem gás e um molho shoyu que nunca é utilizado são os únicos habitantes daquele pequeno universo.
‘É. Definitivamente preciso ir ao mercado. Talvez mais tarde. Aproveito e dou uma olhada naquela mesa pro computador’.
Fecha a geladeira e procura o celular pra checar as horas, afinal, já não sabe se são mesmo seis e meia da manhã, pode ser que seja mais tarde. Não seria uma má idéia começar a riscar tarefas da lista de compromissos.
Não acha o celular.
Olha com o canto dos olhos para a cama, tenta buscar alguma espécie de luz solar vindo do basculante da minúscula cozinha. Nada muito empolgante vem dali.
Caminha rapidamente até a cama, se cobre com cuidado, afinal esfriou muito de ontem pra hoje.
Abraça aquele seu bicho de pelúcia esfarrapado – único elemento de um passado não muito distante ao qual ela ainda se agarra. Respira fundo. Fecha os olhos e, lentamente, imersa em seus devaneios e semi-sonhos, volta a dormir.

Mariana.
24/07/07

3 Respostas para “da rotina

  1. todo dia Ela faz tudo sempre igual….

    mas hj ela resolveu fazer diferente!

    :)

  2. a rotina que espanta a paixão que espanta a rotina

    ainda bem que agora o momento é de paixão, adoro o texto e o momento.

  3. Pingback: O nome dela. « [anyothershoes]

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