As coisas por aqui vão normais, como sempre foram. Mamãe vai bem, Papai também. Essa noite perdi o sono e pensei em te escrever qualquer coisa, pensei em me levantar e despejar tudo no papel, mas acabei dormindo e me esqueci de tudo que pensei. Mas e aí? E aí que eu já mencionei o entupimento do meu banheiro. E aí que ele prossegue entupido na vida, mais uma cruz a se carregar e etc. O que acontece é o seguinte: como sabemos, eu moro num prédio de 1932, onde tudo entope, tudo mofa, as paredes esfarinham e os vizinhos de cima dançam tango toda noite. E bem no meio do banheiro tem um ralo, que fica embaixo da máquina de lavar, e que está diretamente ligado aos canos da banheira e da torneira. Em algum momento entre a banheira e o ralo, um coágulo se formou. A água que deveria escoar pelos canos afora e seguir seu curso até o mar, volta por debaixo da máquina, alagando praticamente toda a superfície da minha casa, formando uma cena digna de filme de naufrágio de navio. Pergunto-me onde estarão os botes e os coletes salva-vidas. A situação já vem vindo caótica há uns dois meses, mais ou menos. A torneira que vazava constantemente já foi arrumada por um amigo com um pedaço de havaianas vintage – aquela azul e branca, que comprei quando da grande reforma inacabada do apartamento. O que um dia foi uma elegante casa de banhos, mais parece um vestiário comunitário de camping, tudo fica suspenso de modo a não ser atingido pela água e a caixa de sabão em pó incauta, pobrezinha, já está em estágio de sobrevida, desfalecendo no chão, se esvaindo em partículas azuis e verdes de aloe vera. Então eu deveria chamar o seu Luís, que manda seu assistente, que com uma pequena caixa de ferramentas, cutuca o buraco sem tampa, faz algum movimento inexplicável pra pessoas ordinárias não-encanadoras como eu e resolve o problema em meros cinco minutos. Acabo por não chamar ninguém, acendo um cigarro e espero. Espero. Espero.
4 responses so far ↓
thiago // May 23, 2009 at 3:08 pm |
cuidado com o cheiro do ralo.
flavia // May 23, 2009 at 11:45 pm |
Oi flor. Em breve não terá mais que pensar em encanamentos entupidos, ouvi dizer que nos jardins as coisas são diferentes, os encanadores e resolvedores de problemas brotam ou se materializam assim que se pensa neles. Beijos, gostei.
ontemvocedisseamanha // May 26, 2009 at 4:50 pm |
despeça-se com amor desse cano, que até metáfora virou.
Pardal // May 27, 2009 at 4:20 pm |
> gente!
>posso escrever sobre isso, se calhar?
ué, escreve escreve!