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Entries from June 2008

Roads

June 24, 2008 · 2 Comments

No instante em que abriu os olhos, voltou a sonhar. Respirou enfim, aliviada por estar de volta ao mundo dos seus devaneios. Caminhava com os olhos atentos ao que se passava, e sentia em seu coração algo como uma alegria sem precedentes, e este não dizia nada mais do que um simples pulsar levemente descompassado.

Atravessou ruas, cruzou automóveis e pedestres, o pequeno homem vermelho piscava e ela apressou o passo. Queria chegar logo ao seu destino e não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ele. Imaginava cenas, criava situações, alinhava os cabelos, conferia as horas. Sem deixar o sorriso no canto do lábios em nenhum momento.

Quando finalmente chegou, correu. Não esperou o elevador. Subiu as escadas pulando de dois em dois degraus. Trôpega, tocou a campainha. E ansiosamente esperou que a porta fosse aberta. Mais um segundo,  ela explodiria e todos os seus sonhos e pensamentos ecoariam pelos corredores afora. Do outro lado ele sorria, com seus olhos castanhos escuros, pequenos e ligeiramente apertados atrás dos óculos.

E por um momento eles se olharam, e em seu íntimo, ela, que sonhava, pode ver em seus olhos tão pequenos um brilho que não havia reparado antes. Um olhar, sabia ela, poderia ter milhares de significados e significantes. E aquele olhar, para ela, era a imagem perfeita que traduzia o grande sentimento quase sempre nomeado como amor.

Categories: random

O nome dela.

June 7, 2008 · 2 Comments

“I was staring at the sky, just looking for a star…”

Minha casa está imunda. Meu teclado é cinza. Tudo que vejo está coberto por uma grossa camada de poeira. A cama está desarrumada e a geladeira sempre está vazia. Tomei uma cerveja quente e achei que sabia tudo sobre a vida.

Sempre achei que o segredo da vida apareceria na próxima esquina, depois de dez cervejas e meio maço de cigarros. Na verdade, achei que tudo se resolveria se eu me dispussese a aprender matemática e passasse de ano sem exame. Nunca aprendi matemática e me passaram de ano. Sempre achei que com o próximo namorado seria diferente. E nunca é. Me mudei de cidade às pressas. Fugi. Nunca me passou pela cabeça ser escritora até anteontem. Sempre bebo mais do que deveria.

Ela peitou todo mundo, escreveu, publicou. Gostaram e tomaram as palavras dela. Fizeram um filme. Ela não é a Camila. A Camila sou eu. A Camila não sou eu. Todo mundo tem um tanto de Camila.

Deixem a Camila em paz.

“Hunger hurts, but starving works…”

Mais aqui. Hm. E aqui.

Categories: arte
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