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Entries from October 2007

October 31, 2007 · Leave a Comment

me falta tempo.

Categories: Uncategorized

Drops, beats and chick-flicks

October 24, 2007 · 6 Comments

Chego em casa ensopada da chuva e abro uma latinha de cerveja não muito gelada. Vou tirando a roupa de qualquer jeito, jogando tudo pra todo lado. Bota, calça jeans, casaco, camiseta. Coloco um cedê qualquer pra tocar. Desses que combinam com o dia chuvoso. Tomo um banho quente só com a luz do espelho acesa. Essa luminosidade me deixa bonita. Passo o óleo corporal e fico vendo as gotinhas brilhantes escorrendo perna abaixo.

Vivo a vida em drops. Gotas. Pequenos ciclos. Cada semana um ciclo começa e outro termina. Toda semana um ciclo diferente. Não. Mentira. Toda semana o mesmo ciclo.

Coloco o roupão, desligo a música e ligo a TV. Qualquer filme água-com-açúcar na sessão da tarde vai me deixar feliz agora. Pego a caixinha de esmaltes e me demoro escolhendo uma cor. São muitas opções, vermelho-claro, vermelho-médio, vermelho-escuro. Rosa-claro, rosa-médio, rosa-escuro. No filme a protagonista é sequestrada por um galã. É bem previsível que eles vão se apaixonar e ter uma penca de meliantes.

Paro de fingir que não sou romântica enquanto vivo o romance dos outros.

O mundo se esvaindo em água do lado de fora e eu debaixo das cobertas, fumando um cigarro enquanto espero o esmalte secar. Passei três camadas. Assim demora mais. Quantos cigarros ainda tenho?

De que adianta ter todo o tempo do mundo se o maço de cigarros está no final?

Abro a geladeira pra ver o que tem pra comer. Um resto de comida de dois dias atrás em uma marmita de alumínio amassada e deprimida. Dois ovos que provavelmente estão chocos. Algumas maçãs me olham estarrecidas. Prefiro abrir outra latinha e voltar pra TV. No final do filme a mocinha acaba se casando com o bandido e todos vivem supostamente felizes para sempre.

E quem é que não se inquieta ao imaginar a possibilidade de ter sua felicidade garantida pro resto da vida?

Desligo a TV, já entendiada com toda aquela babaquice e ligo o som outra vez. Dessa vez uma música animada. Me levanto e começo a dançar, feliz, despreocupada com a minha solidão.

Certezas são cheques sem fundo.

Categories: rotina

peso-pena

October 23, 2007 · 1 Comment

Olha pra mim aqui em cima, olha.
Justo eu que morro de medo de altura.
Estou prestes a pular.
Eu quero muito fazer isso.
Só estou esperando você me pedir.
Me dá um sinal que eu vou.
Só preciso que você diga uma palavra.
Uma palavrinha só.
São só quatro letras.
Fala, por favor, fala.
Aí eu pulo e você me segura.
É bem simples.
Tenho certeza que você me agüenta.
Sou muito leve.
Peso nada, não.
Te garanto.

Espera aí!
Pra onde você tá indo?
Volta aqui!

Me deixa pular…

Categories: random

Like a rolling stone

October 19, 2007 · 3 Comments

Me sentei pra almoçar no restaurante de sempre e comer o mesmo lanche de sempre.
Liguei o iPod pra ouvir o mesmo álbum de sempre.
Almoço sem música clássica não é almoço pra mim.
Era um dia desses que você já acorda sabendo que não vai acontecer nada de diferente. Todas as pessoas, objetos, ruas e placas estão no mesmíssimo lugar que estavam no dia anterior.
Esse meu restaurante cativo tem umas mesas na calçada, e eu sempre faço questão de me sentar do lado de fora pra ficar apreciando os transeuntes. Eu sou uma daquelas pessoas chatas e anti-sociais que dizem que gostam de observar pessoas por motivos antropológicos.
Pois então eu estava ali, preparado pra dar a primeira mordida no meu sanduíche de rosbife com salada e maionese e olhei distraído pro lado.
No restaurante próximo ao que eu estava, que também tinha mesas do lado de fora, tinha uma menina sentada sozinha em uma dessas mesas.
Ela era muito bonita. Daquelas pessoas que você costuma dizer por aí que tem uma beleza exótica. Pele muito branca, olhos claros e um cabelo castanho claro comprido, com o que eu poderia descrever como semi-cachos, não eram cachinhos miúdos tipo pixaim, nem cachos grandes tipo qualquer pessoa que você possa ter visto que tenha cabelos com cachos grandes.
Era meio bagunçado, o cabelo. E ele tava todo pra frente, tampando a blusa dela.
Enfim, ela estava sentada, olhando pro nada, com um cigarro apagado numa mão e um isqueiro na outra.
Pensei comigo que ela era linda e, com aquela cara de nada, ela deveria ter uma história qualquer de mulher neurótica, daquelas que chutam portas e arremessam celulares quando frustradas.
Deixei ela de lado e voltei pro meu momento individualista – tão individualista que chega a beirar a psicopatia. Dei umas duas ou três mordidas no sanduíche e de repente um motoboy alucinado que vinha virando a esquina levou uma fechada de uma dona (que devia estar voltando do salão no seu carro importado vermelho-sangue) e bateu em cheio numa banquinha de frutas que fica do outro lado da rua, em frente ao restaurante.
O dono da banquinha, um oriental senil muito do obstinado foi arremessado longe, e enquanto voavam mangas, abacaxis fatiados, pêssegos, carambolas e tudo o mais, tentava recolher sem muito sucesso as suas mercadorias.
As pessoas ao redor começaram a correr desorientadas, umas tentando pegar as frutas que rolavam pela rua e pela calçada, outras tentando acudir o velho e outras ainda tentando ver o que tinha acontecido com o motoboy. Este por sua vez levantava a moto e gritava com um sotaque fortíssimo de Guarulhos com a perua que tinha comprado a carteira em Brasília e não olhava por onde andava, onde já se viu atrapalhar a minha correria, tia.
Todas as pombas da rua voavam freneticamente, dando rasantes na cabeça dos curiosos de plantão.
Olhei pra menina e ela continuava do mesmo jeito.
Impassível.
O cigarro ainda apagado.
O mundo caindo, o circo pegando fogo, bem ali na frente dela, nem 10 metros, e ela não tinha mudado absolutamente nenhum milímetro daquela expressão apática.
Eu já não sabia mais se terminava de comer, se ajudava os garçons que se acotovelavam pra salvar qualquer coisa ou pessoa que acontecia por ali ou se ia perguntar pra maldita da garota o que estava acontecendo com ela. Não é possível, você não está vendo que existem outras pessoas no mundo além de você, menina?
Aquilo me deixou deveras inquieto. Como nada costuma me deixar.
Ainda mais com a música clássica fervendo nos meus ouvidos.
Engoli a porcaria do rosbife frio, mandei Seu Juarez marcar na conta pra mim, empurrei meia dúzia de desavisados e fui até ela.
Ainda nada. Mesmo olhar perdido.
Coloquei a mão bem devagar no ombro dela, demorou alguns segundos até ela perceber.
Primeiro ela olhou pra minha mão. Depois lentamente subiu o olhar.
Me olhou com aqueles olhos lindos, muito tristes e nem se dignou a dizer nada.
Perguntei se estava tudo bem e ela disse prontamente que não.
“Meu isqueiro não funciona. Comprei essa merda ontem. E ele não funciona. Olha só!”
Só saíam faíscas. Os olhos dela começaram a lacrimejar.
Sem dizer nada, abri minha mochila, peguei uma caixa de fósforos que eu guardo pra eventuais emergências – nunca se sabe onde é que a gente vai precisar botar fogo – coloquei em cima da mesa, abri um sorriso triste e saí.
Assim, saindo.
Fui embora sem dar tchau. Sem olhar pra trás. Sem nem mesmo ver se ela sorriu de volta.
Ou se agradeceu a gentileza.
O pandemônio ainda corria solto.
E eu já não estava nem aí mais.
Tirei aquela música clássica insuportável, coloquei um bom e velho rock amigo e voltei pra mais uma tarde de trabalho, dessas assim, que você já vai sabendo que nada de diferente vai acontecer.

Categories: contos

Chiquinha, não.

October 19, 2007 · 3 Comments

Já vou deixando bem claro que eu vim pra cá com segundas intenções.
Eu vim aqui pra bagunçar o seu coreto.
Eu quero bagunçar o seu coreto.
Eu não vim aqui pra você olhar pra mim e achar que eu sou bonitinha, fofinha ou o caralho à quatro.
Eu quero é o tumulto.
Eu quero te virar do avesso. Te fazer pensar.
Pra depois dizer que eu preciso ir, pegar um táxi no meio da madrugada e demorar duas semanas pra aparecer outra vez.
E você vai esperar esse momento como se fosse o último momento.
Eu quero tirar os seus pés do chão.
É isso mesmo que eu quero.
Tirar os meus pés do chão.

Categories: random

One

October 18, 2007 · 5 Comments

Hoje eu acordei com uma vontade imensa de ouvir a nossa música.
Acordei com ela na cabeça, não sei de onde veio isso.
Eu gosto muito dela, sabe?
Foi oficialmente a primeira música que eu tive com alguém.
Eu nunca vou esquecer daquele dia. Faz tanto, mas tanto tempo, que a cena acaba ficando um pouco embaçada na minha cabeça.
Pode ser culpa do licor de amarula com gelo também. Ou das doses de tequila que a gente virava como se fossem água. Sal, tequila, limão.
E muitas gargalhadas.
Até que todo mundo saiu e deixou a gente lá. Sozinhos naquele apartamento enorme.
Você sentou do meu lado no sofá, abriu um sorriso, mexeu no meu cabelo.
Eu não me esqueço do seu sorriso. Como era lindo seu sorriso. Você era – e ainda é – todo lindo.
Você me deu um beijo daqueles que dão choquinho. Adoro esses beijos. São os melhores.
Queria que todos os beijos fossem assim. Ou não também.
Aí você se levantou do sofá e foi até o som.
Colocou um CD pra tocar e me perguntou se eu conhecia aquela música.
A banda era famosa, eu até gostava dela, mas por incrível que pareça eu ainda não conhecia aquela música.
E a música era linda.
E você veio, me puxou do sofá e começou a dançar comigo.
Dançamos abraçadinhos, como se estivéssemos em um bailinho da quinta série.
Você ia fazendo carinho em mim, passando a mão nas minhas costas. O que depois você veio a descobrir que era o meu carinho favorito. E passou anos e anos fazendo isso incansavelmente.
Então você segurou meu rosto e me beijou de novo.
Dessa vez foi um beijo diferente.
Com gosto de “quer ser minha namorada?”.
Claro que eu queria ser sua namorada. Depois daquilo eu não queria era te largar mais.
O resto eu não lembro direito, acho que todo mundo voltou, ou eu fui embora.
Quantas músicas a gente já teve depois disso? Muitas. Várias.
Pra cada fase, aniversário de mês, feriado ou briga aparecia uma música diferente.
Eu tenho que confessar que já repeti algumas delas com outras pessoas que vieram depois de você.
Mas essa? Essa foi a única que eu não emprestei pra ninguém até hoje.
Ela é nossa. Não é só minha. Nem só sua.
Talvez é porque tenha sido a primeira música que eu tive com alguém?
Não sei, acho que já falei isso antes.

Categories: random

on/off

October 17, 2007 · 2 Comments

Levanta daí e vai lá lavar essa cara de choro, menina.
Não tá vendo que tá borrando toda a sua maquiagem?
Tá chorando a troco de que, hein?
Alguém morreu?
Sua casa pegou fogo?
Perdeu o emprego?

Não?

Então olha bem pra minha cara.
Olha pra mim, tô mandando!
Engole esse choro, anda.
Não quero saber de você chorando desse jeito mais.
Nenhuma lagriminha sequer, ouviu bem?
Agora vai lá, rápido. Retoca esse blush, passa um corretivo e corre.

Tão te chamando ali, você não tá ouvindo?

Categories: random

O outro

October 11, 2007 · 4 Comments

Tô vendo você aí, sentado na minha frente, todo compenetrado.
Me contando uma história?
Discorrendo sobre alguma teoria?
Não sei muito bem, só observo seus lábios se movendo.
O som da sua voz está um pouco distante.
Seus olhos piscam involuntariamente.
Você levanta uma sobrancelha só.
Mexe no cabelo. Tão bonito esse cabelo.
Agora você sorri.
Eu sorrio de volta.

Esse você aí sou eu.

Categories: random

A minha vizinha

October 10, 2007 · 3 Comments

Pois levante a primeira pedra quem nessa vida não tem uma história de vizinhos pra contar.

Eu, que não podia ficar de fora, vou contar a história de uma pessoa muito especial, minha querida vizinha, Dona Gina. Uma simpática senhora que mede por volta de 1,50 de altura e reside em um pequeno apartamento conjugado com dois peixes cegos e um cágado.

Não se sabe ao certo há quanto tempo Dona Gina mora ali no prédio. O que se sabe é que há mais ou menos uns cinco anos ela fez a compra efetiva do imóvel, reformando todo o ambiente de acordo com as suas, digamos, preferências.

Basta aparecer um distraído interessado em um apartamento por ali e ela já chega, toda argumentativa:

- Óle bem, você não pode ter u’a cozinha tão pequena assim, criatura. Veja aqui, veja, eu le moshtro como eu fiz a mi’a. Derrubei tudo essas parede ali ó. Tá vendo direiti’o? Fica menos de seticentos contos, menina. Le dou o telefone do Óscar, ele que fez o sérviço aqui. Cáprichoso toda vida, aquele rápaz.

Ai da pobre alma que demonstrar o mínimo de empenho em ouvir a conversa dela. Pode-se chegar a aproximadamente 40 minutos ouvindo as digressões sobre a tal reforma. E é claro, muitos outros assuntos mais.

Quanto ao sotaque, bem, é aí que reside uma das grandes incógnitas sobre Dona Gina. As informações sobre seu passado são incertas. As poucas pessoas que sabiam, ou se mudaram do prédio, ou que Deus as tenham, faleceram.

Como eu ia dizendo, o sotaque de Dona Gina é extremamente peculiar.

Uma das histórias remanescentes é que ela veio de Canaã dos Carajás para a grande metrópole ainda quando criança, e que, muito saudosa de sua família e origens, optou por manter alguns elementos deste doce e cantado linguajar dos recônditos do norte do país.

Outras pessoas dizem que isso é conversa de gente desocupada, a verdade é que é tudo culpa da convivência assídua de Dona Gina com o zelador/porteiro/eletricista/cozinheiro, o Josías.

Este sim, vindo de São João das Pirabas, interior do Pará, tem o sotaque fortemente confirmado pela parentada que o visita aos sábados, quando inclusive, pode-se vê-lo sem uniforme, com uma roupa esporte e óculos escuros estilo ray-ban. Algumas vezes Josías até se arrisca a usar uma camiseta camuflada que Dona Gina confeccionou pra ele com tanto apreço.

Dona Gina, uma mulher à frente de seu tempo, antenada à todas as tendências, costura suas próprias roupas. Tem uma grande predileção por tecidos camuflados. A decoração inovadora de sua casa conta com diversos artigos devidamente encapados com tecidos camuflados. Da fronha do travesseiro ao abajur da mesa de canto da sala de estar.

Eu já mencionei que Dona Gina é onipresente no prédio? Pois bem. Basta uma simples incursão à banca da esquina e você já pode dar de cara com ela, algumas vezes de pijama camuflado, outras vezes de pijama normal mesmo. Aqueles de estampa de florzinha e ursinho que todo mundo tem, mas esconde.

Outro dia me deparei com ela toda faceira de bobs no cabelo, escovando os dentes e subindo as escadas com uma vassoura na mão.

Foi numa dessas de querer estar em todos os lugares do prédio ao mesmo tempo que Dona Gina literalmente se fodeu. Era uma manhã qualquer de um dia qualquer da semana. Estava ela de papo pro ar com o Josías, que catava folhas secas no jardim, quando ouviram um estrondo vindo do portão da rua.

Eram dois assaltantes mascarados, armados até os dentes, berrando freneticamente para os dois se calarem. Levaram os dois pro quartinho do lixo do segundo andar, onde os amarram abraçados de frente um pro outro. Veja bem, Dona Gina mora sozinha e, ao que tudo indica, não recebe visitas masculinas de nenhuma sorte. Conclui-se que este foi o ápice de qualquer contato físico que ela pode ter tido em anos.

Ela sentia o cheiro de macho de Josías, ofegante, forçando um riso nervoso. Olhava pra ele e pensava nas maiores barbaridades que jamais sonhou em fazer em toda sua vida.

Josías preferia nem pensar.

Ela se movia delicadamente, tentando sentir cada músculo do corpo não muito musculoso dele, enquanto rezava alto, misturando todas as orações que conhecia.

Josías continuava não pensando.

Foi só no fim da tarde que os encontraram ali, quase desfalecidos em meio àquele fedor de lixo, suor e sexo. Ao que parece, Josías, muito cansado pelo trabalho árduo no prédio, deu uma pescada, e neste momento, Dona Gina, já perdendo os sentidos com o forte odor dele, deu logo o bote, e enrolada naquela corda vagabunda de varal conheceu o que nunca dantes imaginou existir. O orgão sexual masculino.

Daí em diante foi tudo uma explosão de sensações pra ela.

Passada toda a confusão de policiais, viaturas, delegacia e afins, Dona Gina e Josías limitaram sua comunicação ao simples bom dia. Ele, por precisar do emprego. E ela por não ter palavras pra se dirigir ao homem que a fez descobrir o motivo pelo qual as pessoas se casam e têm ninhadas de filhos catarrentos.

Hoje em dia ela tem andado pelo prédio em sobressaltos, aqueles olhos arregalados e os cabelos meio desgrenhados pra cima. A desculpa dela é estar sempre vigilante, preservar a segurança dos moradores.

Mas a verdade é que ela suspira pelos cantos, sonhando com o membro não tão rígido do Josías. Este por sua vez já nem dorme direito, morre de medo de ter pesadelos com a Gina. Digo, Dona Gina.

Categories: contos

Pra Flavinha

October 8, 2007 · 4 Comments

- Alô?

- Oi!

- Ah. Oi.

- Sonhei com você essa noite.

- Que tem?

- Nada. Só queria contar que sonhei com você.

- Jura? Teve uma premonição, foi? Não vai me dizer que agora virou mãe de santo. Você e essas tolices de horóscopo, numerologia e o escambau. Sonhou que eu ganhei na loteria? Já aproveita e me fala os números aí.

- …

- Ai, não vai fazer drama agora, hein? Foi só uma brincadeira. Conta pra mim, vai, desembucha logo, querida. O que foi que a gente tava fazendo no sonho? Alguma sacanagem, é?

- Não.

- Ih, vai começar a chorar agora?

- Não.

- Então conta logo, pô.

- Ahn, olha só, eu acho que esqueci o que era. Bobagem. Tenho que desligar. Outra hora a gente se fala, tá? Tchau.

- Mas…

Categories: random