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Entries from September 2007

Keilla Camille

September 24, 2007 · 2 Comments

Muito prazer, sou Keilla Camille do Rosário.
Nasci no interior do interior da Bahia e vim pra capital ganhar a vida.

Até hoje eu não sei se eu ganhei a vida ou se foi a vida que me ganhou.

Faço ponto no local mais badalado da cidade. Você deve conhecer, é bem ali entre a Chaves e a Soares Cruz. Só as meninas mais bonitas podem fazer ponto ali. Ordens do Costa.

Não gosto de dizer que o Costa é cafetão, parece desrespeito. Ele é meu amigo, me ajuda muito.

Tudo que eu tenho devo à ele. Meus peitos, meu cabelo, minha barriga retinha, o bronzemento semanal. Fora todas as roupas e sapatos que ele me dá de presente. Coisa fina, de qualidade. Com o Costa não tem pão-duragem.

Só teve uma vez que eu e o Costa brigamos.

Foi quando apareceu o Bruno. O Bruno era lindo. Menino bem criado, de família rica. Cismou comigo.
Eu deixava ele fazer de tudo. Até beijo na boca. Ele me olhava com aquela carinha de cachorro caído da mudança pedindo beijo. Como eu não ia dar?

Ele me pegava ali na esquina da Chaves toda quarta depois das onze. E eu passava a noite com ele. Tinham dias que ele só queria me beijar. E eu adorava ficar passando a mão naquele cabelo lisinho dele. Cabelo liso é coisa de Deus, você bem sabe.

Um dia ele disse que queria se casar comigo. Ficou louco. Descobriu o endereço do Costa e foi lá falar com ele. Falou que pagava o que o Costa quisesse pra me tirar dali.

O Costa não gosta de moleque. Ele dizia que o Bruno era moleque mimado.

Imagina só a cara que ele fez quando o Bruno chegou com aquela conversa. Eu não tava lá, mas a Janeth me contou que ele ficou vermelho, com as veias da testa saltadas. Isso nunca é bom sinal.

Até hoje não sei o que aconteceu com o Bruno.

Na época eu chorei muito. Enfrentei o Costa.

Ele me sentou numa cadeira de piscina que tinha no quintal da casa dele. Nem tem piscina lá, mas ele não larga mão da tal cadeira. O Costa é meio metido à besta, sabe? Mania de grandeza.

Enfim, ele me sentou lá enquanto eu berrava com ele, ’seu descabaçado, lazarento, ordinário!’. Me deu um tapa servido na cara. Me mandou fechar a matraca e eu fechei, apanhar dele já era demais.

Ele me disse que era pra eu afastar aquelas idéias. Que ele me dava tudo, que eu era a melhor menina dele. Eu tinha tudo na mão. Pra que largar tudo por causa de paixão?

Paixão, dizia ele, é um monte de química errada na nossa cabeça, misturada com tesão e uma conta bancária recheada. O problema é que a química faz a gente ter idéias bestas, era o que ele falava.

Esquece essa bobagem, keillinha, meu amor.

A verdade é que o Costa está certo. Com o dinheiro que eu ganho, posso ter e ser tudo que eu quiser. Posso ser apaixonada, mãe, filha, prima, amiga, mulher. No dia seguinte acordo e faço tudo de novo. Pagando bem, então. Levo até à Lua.

Essa coisa de paixão só deixa a gente com a cabeça virada. Só serve pra essa gente de novela, de filme.

Ontem mesmo tirei quinhentos mangos com um sujeito que queria que eu desse de mamar pra ele. Botei os peitos pra fora e paguei o aluguel. Simples assim.

É, o Costa é mesmo um bom amigo.

Pronto, tá bom, né?
Pode desligar seu gravador aí. Por hoje já deu.

Categories: contos

Pop art

September 21, 2007 · 2 Comments

Então.

Não sou atriz da globo. Não tenho um blog patrocinado.

Também não tenho um mac.

Mas já que é febre entre as atrizes, eu, que nem aspirações globais tenho, também vou postar uma foto ‘pop art’ por aqui.

Sabe como é, né? O ibope sempre tem que subir…

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Olha só que paraíso de informações úteis.

Categories: random

Dona Marianinha

September 18, 2007 · 5 Comments

Minha avó se chamava Mariana. Mas todo mundo conhecia ela por Dona Marianinha mesmo.

Ela tinha os cabelos curtinhos, vermelho tijolo, super elegante.

Minha avó tinha os olhos azuis mais azuis que eu já ví. Mais azuis que o azul do céu. Era a cor mais linda que já se teve notícia. Podia-se ficar horas e horas observando os olhos dela sem se cansar.

Ela era uma pessoa altiva e enérgica. E eu morria de medo dela.
Quando ela ficava brava comigo, gritava assim: Ma-riããããna!

Eu me chamo Mariana por causa dela. E ela se chamava Mariana por causa da avó dela.

Quando criança eu não gostava do meu nome. Ficava indignada com a minha mãe. Onde já se viu copiar o nome da minha avó?

Teve um tempo em que eu queria me chamar Ana Cláudia. E quando íamos montar a árvore de Natal e pendurar as meias – cada uma com os respectivos nomes da criançada, eu ficava horas olhando pra minha meia e analisando se o tal Ana Cláudia ia caber ali.

Ana, por causa da prima. Cláudia por causa da revista que minha mãe lia.

Naquele tempo eu não sabia de nada. E hoje eu também não sei de muita coisa.
Só sei que sinto orgulho do meu nome.

O nome da mulher que tinha os olhos azuis mais bonitos que eu já vi.

Categories: família

Avalanche

September 17, 2007 · 1 Comment

Ouviu-se um grito agudo.
Os pensamentos começaram a desmoronar devagar, escorregando morro abaixo.

Uma vez soltos, os sentimentos não voltam mais.
Eles vão descendo bem de levinho, quase que imperceptivelmente. Começam a ganhar velocidade à medida em que o tempo vai passando. Ganham força pelo simples fato de terem sido soltos. E vão se transformando em enxurradas de sonhos, vontades e desejos.
A avalanche invade tudo, toma conta de cada fresta, cada pedacinho incauto, desprotegido.
Impossível conter. Impossível não sentir mais nada.

Impossível voltar atrás.

Categories: família

Oba! Sexta!

September 14, 2007 · 2 Comments

Top 5 – músicas fofas pra alegrar o dia:

1. Who Left the Lights Off, Baby? – Guillemots
2. Disillusion – Badly Drawn Boy
3. Swimmers – Broken Social Scene
4. Confetti – The Lemonheads
5. Here’s where the story ends – The Sundays

Aceito sugestões de warm-up pra mais tarde, huh?

Categories: top 5

House of Jealous Lovers?

September 11, 2007 · 4 Comments

Estava eu aqui pensando sobre o tédio – sim, estou entediada e sem inspiração – e, juntando uma ponta na outra ponta, cheguei à conclusão de que eu não sei muito bem o que significa sentir ciúme.

E olha que há poucos anos atrás (pra não dizer seis e fazer uma brincadeira de mau gosto) , eu me considerava a pessoa mais neurótica do universo. Era daquelas namoradas/detetive que acreditava ser a a sutileza em pessoa e inventava trabalhos na biblioteca do campus dele e afins, só pra seguir o danado e saber o que ele estava aprontando.

Oká. Num primeiro momento, pode parecer ciúme, sim, mas olhando pra trás eu vejo que não era bem um medo de ele ficar com outras pessoas, ou até mesmo de gostar de outras pessoas. Eu queria era controlar. Saber onde ele estava, com quem ele falava, quem ele era longe de mim.

Mim-meu-posse.

O mesmo exemplo serve pra amizades, família, relacionamentos em geral. A minha tensão é saber o que o outro é quando não envolve o ‘mim’. É querer demarcar território. Fazer um xixi básico. ‘Ei, isso é meu, tá claro?’

Entendida essa parte da posse, eu volto na questão outra vez, busco o significado no dicionário e não vejo nada muito diferente entre ciúme e possessividade.

O Houaiss ainda chega a comparar ciúme com inveja. O que torna a questão ainda mais complexa.

A verdade é que estou fazendo rodeios ao redor do assunto, e o que eu quero dizer, seguindo essa lógica da eliminação, é que eu acho que nunca senti ciúme antes. Estou há mais de uma hora tentando escrever sobre isso, e me dei conta que está sendo extremamente difícil falar sobre um sentimento que eu não sei ao certo se já experimentei ou não.

Ninguém nunca me disse que escrever seria fácil. Requer prática, eloquência, paciência e…

Vivência.

Afinal, o que é sentir ciúme?
Alguém?

Categories: random

As velas de Moraes

September 6, 2007 · 8 Comments

Gabriela entrou na banheira. A água estava morna, quase quente. Temperatura ideal praquele dia de outono. No som tocava Nina Simone. Gabriela costumava dizer que Nina pedia banhos de banheira e banhos de banheira pediam vinho. Alcançou sua taça daquele cabernet sauvignon companheiro – ele nunca a deixava tomar esses banhos sozinha.

Birds flying high, you know how I feel…

Enquanto cantarolava, olhava pras duas velas acesas.
Uma delas era grande, tinha a chama fraquinha, quase não iluminava nada. Era a vela popularmente conhecida como Vela de Sete Dias. Gabriela nem acreditava nas questões religiosas das velas, comprou aquela pelo propósito dos banhos e só. E mesmo assim a vela tinha a danada da chama praticamente imperceptível.

A famigerada só era compensada pela segunda vela. Que era uma daquelas pequenas, de kit de fim de ano de empresa. Vinha num recipientezinho de vidro e era perfumada. O cheiro era agradável. Ou ao menos Gabriela já tinha se acostumado a ele. Ela já estava no fim e tinha uma chama forte, que iluminava toda a banheira.

Gabriela se demorou por uns instantes observando as velas.
Passou a se perguntar quanto tempo ainda durariam. A primeira mal queimava, parecia que poderia ficar ali naquele sopro por toda uma vida. A segunda dançava, vibrava, titubeava e provocava em Gabriela a sensação de que poderia se apagar a qualquer momento.

Uma piscadela e ela teria chegado ao fim. Aquilo a intrigou. A chama era linda e ela decidiu não piscar. Queria aproveitar aquele momento até o último segundo. A sensação a princípio foi a de um formigamento em todo o seu corpo. Parecia estar hipnotizada. Todas aquelas cores saltavam aos seus olhos. Laranja, amarelo, verde, azul, vermelho e até mesmo preto.

Em alguns momentos a chama chegava a esmorecer, mas logo ela voltava com toda força e continuava naquela dança. Frenética e ao mesmo tempo calma. Sexy e ao mesmo tempo tímida. Ao ritmo de Nina.

It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me and I’m feeling good

O telefone celular tocou em algum lugar. Foi quando Gabriela se deu conta – a vela grande da chama pequena tinha se apagado.

Se pegou rindo sozinha. Sua vida era mesmo um grande clichê.

Terminou sua taça, tapou o nariz e afundou-se na água, enquanto a voz de Nina ia ficando cada vez mais longe e abafada, até chegar ao ponto de quase não mais ouvi-la.

Categories: contos

Fúria!

September 4, 2007 · Leave a Comment

Como assim ninguém me avisa que vai ter show do Nouvelle Vague?
Como assim os ingressos estão esgotados?
Como assim os ingressos custavam míseros R$ 15,00?

Oh, quanta indignação pra uma manhã de terça-feira.

Fiquem aí sofrendo com o vídeo mais fofo deles.

Categories: random

Momento ‘Pronto, falei.’

September 3, 2007 · 13 Comments

Top 5 – músicas barangas da minha vida (nacionais)

1. Evidências – Chitãozinho & Xororó
2. No meio da rua – Kid Abelha
3. Eva – Rádio Táxi
4. À Francesa – Marina Lima
5. Esquadros – Adriana Calcanhoto

[atualizando]

Duvido que vocês tenham coragem de me revelar seus gostos e desgostos mais profundos. Quero só ver quem é que tem as caras de falar pelo menos UMA música que seja.

Categories: top 5