Sim, eu sou muito arretada. Sou muito enfezada.
Não tenho muita medida, não.
Lembro de quando eu era criança – devia ter uns oito anos, mais ou menos – e tinha brigas homéricas com meu primo, o Tiago, que não era nem um pouco fácil também. A gente se atracava feito gato e rato, brigava por qualquer motivo, desde o campeonato de arroto, os filmes a serem assistidos, o sabor da pizza a ser escolhida e a quantidade de sorvete de chocolate a que cada um tinha direito.
Já quebrei vasos, esmurrei portas, rasguei cadernos e livros, quebrei telefones, desmontei cabaninhas. Tudo isso porque ele me despertava uma ira absurda. Ele me contestava, impunha situações através da sua idade – ele é dois anos mais velho.
Eu não aceitava aquilo e não tinha a menor idéia de como revidar. Dar um xilique me parecia ser a resposta mais plausível na época. E foi assim por muito tempo.
Agora eu me pego aqui, com 24 anos, num desses momentos de raiva desmedida (não do Tiago, no caso) e pensando seriamente em como rebater. Loucona, vermelha de raiva, querendo fazer e acontecer. Querendo explodir e falar tudo que eu penso.
Tentei racionalizar e não consegui. Racionalizar cansa.
Achei melhor escrever.