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Entries from August 2007

Puro brilho

August 31, 2007 · 1 Comment

Leão

O mês fecha com Saturno também dando as despedidas de seu signo, onde ficou por mais de dois anos. O lado simbólico da data é marcante. Termina um mês de brilho pessoal, que nasceu da consciência de suas obscuridades e medos. O chumbo agora vira ouro. Alquimia pura.

Categories: random

Politicamente (in)correto

August 31, 2007 · 3 Comments

- Toma! É pra você.
- Não precisava…
- Mas eu quis te dar.
- Já falei que não precisava.
- Presente é presente! Aceita.
- Tá. Mas se eu não gostar posso trocar?
- Trocar? Ah. Ué. Presente não se troca…
- E como você espera que eu use alguma coisa que não me serve?

Categories: random

Arretadíssima.

August 28, 2007 · 6 Comments

Sim, eu sou muito arretada. Sou muito enfezada.

Não tenho muita medida, não.

Lembro de quando eu era criança – devia ter uns oito anos, mais ou menos – e tinha brigas homéricas com meu primo, o Tiago, que não era nem um pouco fácil também. A gente se atracava feito gato e rato, brigava por qualquer motivo, desde o campeonato de arroto, os filmes a serem assistidos, o sabor da pizza a ser escolhida e a quantidade de sorvete de chocolate a que cada um tinha direito.

Já quebrei vasos, esmurrei portas, rasguei cadernos e livros, quebrei telefones, desmontei cabaninhas. Tudo isso porque ele me despertava uma ira absurda. Ele me contestava, impunha situações através da sua idade – ele é dois anos mais velho.

Eu não aceitava aquilo e não tinha a menor idéia de como revidar. Dar um xilique me parecia ser a resposta mais plausível na época. E foi assim por muito tempo.

Agora eu me pego aqui, com 24 anos, num desses momentos de raiva desmedida (não do Tiago, no caso) e pensando seriamente em como rebater. Loucona, vermelha de raiva, querendo fazer e acontecer. Querendo explodir e falar tudo que eu penso.

Tentei racionalizar e não consegui. Racionalizar cansa.

Achei melhor escrever.

Categories: família

Ela(s)

August 28, 2007 · 1 Comment

Nestes dias ela tem acordado em uma cama diferente. Com ou sem o barulho do lado de fora, ela precisa do despertador. Sete em ponto ele toca e ela abre os olhos. Vira pro lado e vê o céu azul ali tão perto - anda dormindo tarde, acha mais prudente deixar a janela aberta.
Sem pressa ela se levanta, vai ao banheiro e depois pra cozinha. Coloca a cafeteira no fogo e os pães na torradeira.
Em algum cômodo da casa a música começa a tocar – Kiss FM: Wake up. Enquanto vai rolando um ACDC, elas começam a tagarelar sobre a escolha do look e as grandes tragédias do cotidiano. Não, nestes dias ela não está sozinha.
Depois de toda a correria secador-chapinha-cremes-maquiagem elas se sentam pra tomar o café da manhã. Tagarelando ainda.
Agora sobre viagens. As que fizeram, as que não fizeram e as que pretendem fazer.
Eventualmente começam a falar sobre os homens. Ah, os homens. Fonte inesgotável de conversas inesgotáveis. Sem se dar conta, já estão comendo a segunda torrada e falando de como nada na vida funciona muito bem sem paixão.
Acabam perdendo a hora.
Se acotovelam no espelho do banheiro enquanto escovam os dentes e dão uma ajeitada final nos cabelos.
Um batonzinho aqui, um retoque no blush ali e bora trabalhar, neguinha.
Saem esbaforidas, colocando tudo dentro das respectivas bolsas. Caminham apressadas até a esquina e se despedem, cada uma seguindo pro seu destino.

Ela coloca seus óculos escuros e liga seu player. ‘Oba, oba’.
É a trilha sonora de Dirty Dancing. Começa a cantarolar e a bater as pontas dos dedos nos quadris.
Atravessa a rua e vai, pensando sobre o quão pouco ela tem precisado para ser feliz.

Categories: rotina

Recalque

August 27, 2007 · Leave a Comment

Acepções
substantivo masculino
1    ato ou efeito de recalcar; recalcamento
2    Rubrica: enologia.
     ato de rebaixar a manta para não azedar e permitir a obtenção de vinho tinto com mais corpo e cor
3    Rubrica: psicanálise.
     mecanismo de defesa que, teoricamente, tem por função fazer com que exigências pulsionais, condutas e atitudes, além dos conteúdos psíquicos a elas ligados, passem do campo da consciência para o do inconsciente, ao entrarem em choque com exigências contrárias
     Obs.: cf. repressão (‘operação’)

***

Eu fico com a 3. Vista a sua opção.

Categories: random

Garoa

August 27, 2007 · 1 Comment

Ele acordou com o barulho irritante do despertador. Não conseguiu abrir os olhos. Alcançou o causador daquele sofrimento desmedido e acionou o botão da soneca. ‘Só mais dez minutinhos de paz’.
O barulho de novo. E a sensação de mal ter fechado os olhos.
Com a dificuldade semelhante a de quem tinha ingerido grandes quantidades de bebida alcóolica na noite anterior, se levantou.
Foi até o banheiro, calculando todos os seus próximos passos – já estava atrasado. Sentou-se no vaso praguejando o fato de ser homem e ter que lidar com uma ereção naquela altura do campeonato.
Se demorou mais do que o normal naquele processo.
Enfiou a cabeça debaixo da torneira e molhou os cabelos – inclusive o chão – descontroladamente.
Se enxugou correndo e foi até a geladeira. Pegou o leite, fechou a porta com força.
Abriu o armário em busca de sua caneca predileta, que não estava lá. ‘Impressionante como tudo contribui com meu mau-humor’. Pegou uma qualquer, colocou o leite com pressa, deixando cair uma quantidade considerável no chão.
Mediu as consequências e o tempo e decidiu não limpar o leite derramado.
Colocou a caneca no microondas por um minuto e trinta segundos.
Nesse meio tempo se vestiu.
Pí pí pí pííí.
Pegou seu leite, colocou duas colheres de nescau, misturou e sorveu sem pensar. Queimou a língua. ‘Merda’.
Colocou a caneca sobre a mesa, pegou sua mochila e foi até o banheiro escovar os dentes.
Saiu apressado, nem lembrou de pegar seu guarda-chuva.
Desceu as escadas do prédio correndo e alcançou a rua. Chovia. Uma chuva fina, chata – característica muito comum nas manhãs da cidade em que tinha escolhido viver.
Bufou e correu até o ponto de ônibus. Deu sinal para o primeiro que passou.
Entrou, viu o ônibus lotado e procurou em meio a toda aquela gente estranha um lugar para se sentar.
‘E lá vamos nós pra mais um dia infernal’.
O ônibus partiu.

Categories: rotina

da rotina

August 23, 2007 · 3 Comments

Ela

O barulho da cidade faz com que ela acorde e se levante da cama.
Num gesto quase que automático, ela calça os chinelos, coloca uma mecha de cabelos atrás da orelha esquerda e vai até o banheiro.
Nem se dá ao trabalho de acender as luzes. ‘Hm, já devem ser umas seis e meia’.
Ela não entende muito bem como as pessoas conseguem funcionar antes das nove da manhã. Mas também não gasta seu tempo tentando entender o que realmente acontece no mundo ali fora.
Aquele mundo cinza, chuvoso e úmido.
Pára na frente do espelho e dá uma olhada no cabelo. Pondera se o tamanho está adequado, se a cor está como deveria estar. Com um gesto lento, levanta os braços e se espreguiça preguiçosamente.
Suspira e caminha até a geladeira. Toma um gole de água e se entristece com o estado usual daquele frigobar – uma relíquia da década de 80 que ficava no quarto de seus pais.
Algumas frutas velhas, uma coca light sem gás e um molho shoyu que nunca é utilizado são os únicos habitantes daquele pequeno universo.
‘É. Definitivamente preciso ir ao mercado. Talvez mais tarde. Aproveito e dou uma olhada naquela mesa pro computador’.
Fecha a geladeira e procura o celular pra checar as horas, afinal, já não sabe se são mesmo seis e meia da manhã, pode ser que seja mais tarde. Não seria uma má idéia começar a riscar tarefas da lista de compromissos.
Não acha o celular.
Olha com o canto dos olhos para a cama, tenta buscar alguma espécie de luz solar vindo do basculante da minúscula cozinha. Nada muito empolgante vem dali.
Caminha rapidamente até a cama, se cobre com cuidado, afinal esfriou muito de ontem pra hoje.
Abraça aquele seu bicho de pelúcia esfarrapado – único elemento de um passado não muito distante ao qual ela ainda se agarra. Respira fundo. Fecha os olhos e, lentamente, imersa em seus devaneios e semi-sonhos, volta a dormir.

Mariana.
24/07/07

Categories: rotina

O início?

August 23, 2007 · 1 Comment

1) Breve explicação de como tudo começou:

Nos idos de 2004, com a ajuda da minha querida Renata eu decidi começar a me arriscar no mundo dos blogs. Ela fez a conta, criou o layout e principalmente o nome: “in my Shoes”. Sim, só o “Shoes” é com letra maiúscula.
Explicando: “in my shoes” é uma expressão de língua inglesa que, em uma tradução literal, significa “em meus sapatos”. Essa expressão quer dizer algo como andar com meus próprios pés.

2) Breve explicação do nome de agora:

“Any other shoes” = quaisquer outros sapatos. O importante é experimentar.

***

Nada disso implica em não falar sobre sapatos.
Adoro sapatos.
Quem não adora?

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Categories: shoes