henry david thoreau dizia que:

 

The price of anything is the amount of life you exchange for it.

é mesmo um acertado, o senhor.

 

 

olha o perigo, doralice

 

fera na selva

não se podia pedir a uma mulher que partilhasse esse estado de convicção, apreensão – a obsessão, enfim, que o dominava e determinava todos os seus actos. havia nas circunvoluções dos meses e anos iminentes qualquer coisa que se preparava para lhe sair ao caminho, como uma fera pronta a formar o salto na selva. pouco importava que a fera estivesse destinada a matá-lo ou a morrer. o certo era o salto inevitável da criatura; e a moral da história era que um cavalheiro não levava uma senhora a caça ao tigre. com esta imagem acabara por formular a sua vida.

henry james, a fera na selva

 

à janela

I said the forest’s only part of a tree.
Who needs the whole girl if you’ve got her knee?

(que poema lindo, benza deus)

(está em 5:42)

verão

The Girls

That day the boys
took us quickly.
They took us calmly.
It was not in our beds
or in the backseat 
of a car or in a field
on a blanket.
They took us
with the magnificence
of their bodies.
They did not know 
that when we watched
them make a play with skill and grace,
like a player mastering
the chess pieces on a board, silent
guardians of their own 
sacred positions, 
they had us.
Their bodies
were like fortresses,
their minds 
half-barred windows.
They took us with intensity.
They took us
eager and as they took us
we knew we were different.
What we liked most
was their strength,
the throbbing 
muscles in their necks, 
the way their callused
hands gripped
the bat, ready to bear down,
ready to get some.
They did not know
it was enough to 
find us with their eyes
across the field 
behind the gated fence
when the air smelled
of manure and rotting grass
when we did not yet
know we wanted them.

Jill Bialosky

contínuo tropeçar

há umas semanas perdi a carteira, outro dia me roubaram a bolsa; ontem torci o pé direito e agora vou indo coxa pela semana adentro. cada dia mais avessa às conversas freudianas de fehlleistung, prefiro encontrar explicação na literatura. mais precisamente dentro de um texto do nabokov sobre as personagens tchekhovianas:

o importante é que o herói  típico tchekhoviano é um azarento defensor da verdade humana universal, indefinida mas bela, que se carregou com um fardo que é incapaz de suportar e que também não pode alijar. o que vemos em todos os contos de tchékhov é um contínuo tropeçar, mas quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas.

vladimir nabokov, lectures on russian literature

alumbramento

diz que o manuel bandeira gostava de dizer isso, diz que poetas sentem isso. em algum canto da web dizem que é isso que significa:

Experiências que passamos e que parecem não ser “deste mundo”. Momentos singulares, impregnados de algo maravilhoso que, de repente, nos toca e encanta. Uma espécie de encantamento faz-nos sentir “estrangeiros” e, ao mesmo tempo, plenamente nós mesmos, totalmente protegidos em algo familiar. Nestes instantes, desembaraçados dos poderes cotidianos, experimentamos uma impressão de extraordinária liberdade.