kit autoajuda

Even these little breakups suck, because they send you right back to thinking about the ex. Right back into the depression. This time you spend six months wallowing in it before you return to the world.

Junot Díaz, The Cheaters Guide to Love

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No human can condemn another to hell because we’re already there.

Don Miguel Ruíz, The Four Agreements – A Practical Guide to Personal Freedom

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and above all
the wish to be
free

ao tio

tive um tio poeta e cronista, o tio zé. irmão mais velho do meu pai, vascaíno como ele; fã do pessoa e do miguel torga, o poeta da terra do pai, meu avô tuga. tio zé tinha heterônimos como o pessoa: zanoto — o mais famoso, krug pilard, p.h. xavier e julio da barca. não me lembro muito dos escritos dele, na época não entendia o que era poesia. o que mais me fica na memória são as cenas em que ele e minha tia dançavam felizes pelas festas afora. sentia vergonha e liberdade quando os via assim, que dançaram juntos até os cabelinhos branquearem todos, até o fim. encontrei algumas poucas coisas dele na internet:

12. Já ouvi alguém dizer que, pra melhorar, tem primeiro que piorar. Acredito que seja um negócio meio perigoso.

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Nas horas pesadas, cinzentas,
um pássaro triste,
de canto melancólico,
anuncia um estar no mundo,
que entristece e comove.

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Quando o flash estourou
eu
fechei os olhos
e vi
uma chuva de estrelas…

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2. Fim de semana com familiares na Fazenda Mascatinho, no município de Varginha. O barulho do riacho e passarinhos revoando e cantando. Levei comigo para a Fazenda “Fragmentos de um discurso amoroso”, de Roland Barthes. Consegui ler umas 90 páginas. Geralmente, na Fazenda, a preguiça pega a gente. Segundo Barthes, “O discurso amoroso, ordinariamente, é um invólucro liso que adere à Imagem, uma luva suave envolvendo o ser amado. É um discurso devoto, bem-pensante. Quando a imagem se altera, o invólucro da devoção se rasga; um tremor revira minha própria linguagem.”

raio verde

Fishing For The Green Flash

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uma vida com furibunda melancolia

um bilhete para cluj napoca

ontem bebi três copos de sangria e uma cerveja de balde que custou um euro e dez. um dos meus melhores amigos foi embora de lisboa hoje às quatorze e cinquenta e cinco. o taxista que me trouxe veio o caminho todo tentando me consolar e disse que tem um fraco por mulheres tristes. quase confessei a ele o meu fraco por taxistas, mas estava mesmo triste e achei dessa vez podia deixar passar a investida. agora me ponho a pensar: e se fosse esse o taxista da minha vida? tenho esse hábito de deixar passar as coisas bonitas e me agarrar às feias. só que isso não vem ao caso agora; o meu amigo foi embora e isso é triste como o caraças.

viajandeiro

complicado é quando as palavras faltam nas horas cruciais, bem no meio de uma frase determinante. é aquela palavra específica que possivelmente mudaria todo o rumo de uma conversa. aquela que traria conclusão, solução ao problema. mas a danada foge, se esconde numa daquelas camadas inatingíveis do pensamento (apesar de aparecer horas ou dias depois, toda soltinha) e te deixa na mão com a opção mais superficial e redundante. aquela que até diz o que era pra ser dito inicialmente, mas de uma maneira tão simplória que todo e qualquer argumento é perdido, esgotado. cuja exaustão de tentativas de busca cria um empilhamento de dessignificação, te coloca no limbo da repetição de frases sem sentido, num mar seco de saliva gasta. na tristeza, por fim, da impossibilidade de comunicar os sentimentos com exatidão. hoje eu quis usar a palavra “abstrato” para denunciar um tipo de comportamento, mas ao invés disso tentei “teórico”, “imaginário”, “fantasioso” e acabei por perder a linha em “viajandão”.

henry david thoreau dizia que:

 

The price of anything is the amount of life you exchange for it.

é mesmo um acertado, o senhor.

 

 

olha o perigo, doralice