love is a state of mind

 

pero la separación es artificial

“Llevamos siglos separando ficción y realidad con un biombo imaginario. El biombo —gran invento japonés— divide en dos espacios una habitación y nos ofrece la posibilidad de diferenciar las dos áreas. Pero la separación es artificial, puesto que oculta que, de hecho, hay un solo espacio. En la narrativa, hay también un solo espacio, pues nada hay tan equivocado como creer que se puede narrar lo que sucede en la vida cuando en realidad contarlo exige siempre inventar”.

do blog alucinado do enrique vila-matas

never resist an impulse, sabrina

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the sea is the possibility

PattiSmith-Bowery1976-godlis

spirit in the dark

hoje trabalhei muito mal, muito pouco. as segundas-feiras são sempre mormacentas. mas gosto de começar a semana, gosto de me sentir limpa quando começo a semana. faxinei a casa toda com muita calma, a cadela me acompanhando por todos os cômodos. ela gosta de ser aspirada, levanta a patinha como quem diz, “anda, vá lá, passa lá isso aqui nas minhas costinhas”. e eu acato, porque sou uma vendida e não me aguento com os olhinhos tristes chantagistas que ela tem. depois saímos pra dar uma voltinha, andamos pelas ruas do bairro como duas jovens cocotas felizes enquanto as pessoas voltavam com ares pesados dos seus trabalhos.

trinta e sete abas abertas, nada lido; ontem abri sticky notes novos e ainda criei mais algumas categorias pra organizá-los. meu caos organizado continua a ser um caos, só que sempre organizado. mas é assim, vou meditar e respiro fundo e agradeço a mim mesma muitas vezes porque tropeçando eu cheguei na vida que queria. lá fora é noite de superlua e aqui dentro só a claridade bonita entrando pela janela. lembrei do shared patio da miranda july em que a personagem neurotiquinha apaixonada pelo vizinho coreano tenta emplacar suas sugestões otimistas na revista direcionada à soropositivos que ela imprime, mas nunca consegue — tenta emplacar o vizinho também, mas a coisa toda corre mal, aquela velha auto-depreciaçãozinha típica da july. as sugestões dela são a cara da grande tanga & grande maravilha que é a salvação das nossas pobres almas através da autoajuda:

“Do you have doubts about life? Are you unsure if it is worth the trouble? Look at the sky: that is for you. Look at each person’s face as you pass on the street: those faces are for you. And the street itself, and the ground under the street, and the ball of fire underneath the ground: all these things are for you. They are as much for you as they are for other people. Remember this when you wake up in the morning and think you have nothing. Stand up and face the east. Now praise the sky and praise the light within each person under the sky. It’s okay to be unsure. But praise, praise, praise.”

e isso aqui é um disco inteiro de belezas.

oh, distance has no way of making love understandable

uns e outros dizem que é falta de respeito insistir no assunto, que se ele não fala nada é porque não quer falar. ora, essa é a parte mais óbvia da coisa toda, afinal ele nunca quis falar nada. eu o conheço (ou conhecia) muito bem e ele nunca quis mesmo falar nada de nada. no final ele só abria a boca pra reclamar ou dizer que se algum dia terminássemos nunca seríamos amigos. como se fosse possível controlar tudo o que sentimos pelas pessoas e a forma como vamos encaixotar aquilo lá no buraco negro que é a gente por dentro. então chamam isso de pensamento racional, o que eu sinceramente acho uma patetice. na minha visão que nem é só minha pensamento racional (aliás, pensamento já é algo racional rs) combina o sentimento com a razão; é só uma forma de organizar os sentimentos, não de deixar de senti-los. uma horda de amigos e anos de vida vivida sem nunca conseguir explicar isso pras pessoas, como se não houvesse aí um universo de teorias humanas, uma caralhada de gente louca estudando sentimentos, aquele tratado maravilhoso do barthes sobre o discurso amoroso e a yourcenar falando sobre erotismo e a pele que não só sente, mas a pele que pensa, a pele que entende intelectualmente. ou até o musil, aquele mala do musil, que teorizava por aí que o lance era pensar mesmo, somos corpo, alma & ficção, ilusão. e vocês aí querendo me fazer engolir essa jeba? é um absurdo, façam-me o favor de parar com isso. podia ser pior? claro que podia. existe aquela velha história da menina que passou anos cuidando e amando profundamente um rapaz, pagando contas e tudo mais, até que um dia, ele, do alto da sua folga de viver na casa dela sem sequer contribuir com o aluguel, disse que ia deixá-la pra ficar com outra. e pior, já andava com a outra há meses. era paixão, era tesão, era inevitável. beijos e tchau, fica aí com o coração estraçalhado e as dívidas que eu tenho aqui uma vida nova pra viver, querida. livre arbítrio, ó. eu, daqui, fiquei foi mesmo só com o coração estraçalhado, agora imagina ela que ainda teve desfalque financeiro? é horrível. mas as pessoas não gostam de falar sobre isso, as pessoas gostam de falar sobre superação e amizades verdadeiras no facebook ou sobre como as mulheres deveriam ser isso ou deveriam ser aquilo. deveriam ser mais equilibradas, tomar calmantes durante a tpm, inclusive tomar hormônio pra parar de menstruar; menstruação, essa pedra no sapato do convívio com mulheres. toma um chá aí, amiga, enfia um tampão na xana e vai nadar. e algumas ainda têm a cara de pau de bater no peito pra dizer que mulher não precisa de homem, que mulher boa é mulher independente, parece que se esquecem que na verdade todo ser humano precisa é de amor, carinho & compreensão.

eu também fui ler o walden muito tarde (acho que nem fomos só nós, viu. se todo mundo tivesse lido walden aos dezesseis o mundo não seria assim), ao passo que me refugiar do mundo pra sentir o mundo me deixou mais anestesiada do que qualquer coisa. viver outro mundo, sei lá. e no fim das contas essa história de mudar de país pra se reinventar ou reencontrar não é mística nem transcendental nem nada, é só deslocamento geográfico. isso de expansão cerebral nem sei se acontece porque acho que a cabeça continua do mesmo tamanho e precisa liberar espaço pra comportar coisas novas. não adianta viajar pra parte nenhuma do mundo que essas coisas não se resolvem assim, meu bem. agora, por exemplo, já não aguento mais estar aqui, então pus a minha cabeça e o meu coração lá e só quero saber de ouvir banda beijo, apesar do wilco ter toda razão quando diz que distance has no way of making love understandable.

eu vou