exercícios de distância

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An Exercise In Love

for Jackson Allen

My friend wears my scarf at his waist
I give him moonstones
He gives me shell & seaweeds
He comes from a distant city & I meet him
We will plant eggplants & celery together
He weaves me cloth
 
                   Many have brought the gifts
                   I use for his pleasure
                   silk, & green hills
                   & heron the color of dawn
 
My friend walks soft as a weaving on the wind
He backlights my dreams
He has built altars beside my bed
I awake in the smell of his hair & cannot remember
his name, or my own.
 
Diane di Prima

 

tens a pele de mil elefantes

tentando desmontar uma lógica de vida procrastinatória em que o acúmulo de escapadas de cinco minutos ao facebook se transformam em horas e dias de compromisso sério com a internet. o que fazer sem tantos links pra ler, mensagens pra responder, pessoas que preciso ver se ainda estão vivas, simulacros de vidas que sequer me interessam de maneira prática? olha, eu até queria dizer que nesses quase dez dias de desligamento do facebook consegui escrever muitos poemas e terminei a proposta do tal livro e avancei na ideia do tal mestrado. mas nem foi bem isso que aconteceu já que acabei substituindo o vício por alguns paliativos safados: remodelei minha timeline do twitter, do instagram (que agora também abandonei), do feedly, do tumblr, do youtube etc. de todo modo, consegui responder e-mails datados de 01 mês e não 05 como é do costume e acabei por escrever & ler coisas produtivas, sim, mesmo que abaixo do volume desejado. (cá entre nós: pau no cu do volume desejado). já bem dizia o joão antônio, é uma luta que não acaba, essa que travamos com a literatura.

numa outra nota, estou sem notícias da minha família há mais de uma semana. sumiram virtualmente, assim como os meus mil conhecidos e o kim jong-un. uma hora aparecem. todos de bengala.

e olha lá que o sr. dunbar estava certo:

There’s no question, Dunbar agrees, that networks like Facebook are changing the nature of human interaction. “What Facebook does and why it’s been so successful in so many ways is it allows you to keep track of people who would otherwise effectively disappear,” he said. But one of the things that keeps face-to-face friendships strong is the nature of shared experience: you laugh together; you dance together; you gape at the hot-dog eaters on Coney Island together. We do have a social-media equivalent—sharing, liking, knowing that all of your friends have looked at the same cat video on YouTube as you did—but it lacks the synchronicity of shared experience. It’s like a comedy that you watch by yourself: you won’t laugh as loudly or as often, even if you’re fully aware that all your friends think it’s hysterical. We’ve seen the same movie, but we can’t bond over it in the same way. (…) “We underestimate how important touch is in the social world,” he said. With a light brush on the shoulder, a pat, or a squeeze of the arm or hand, we can communicate a deeper bond than through speaking alone. “Words are easy. But the way someone touches you, even casually, tells you more about what they’re thinking of you.” (…) Until social media can replicate that touch, it can’t fully replicate social bonding.

p.s.: quem puder vota na dilma por mim que estou longe e sem acesso ao sistema eleitoral brasileiro por questões meramente burocráticas.

love is a state of mind

 

pero la separación es artificial

“Llevamos siglos separando ficción y realidad con un biombo imaginario. El biombo —gran invento japonés— divide en dos espacios una habitación y nos ofrece la posibilidad de diferenciar las dos áreas. Pero la separación es artificial, puesto que oculta que, de hecho, hay un solo espacio. En la narrativa, hay también un solo espacio, pues nada hay tan equivocado como creer que se puede narrar lo que sucede en la vida cuando en realidad contarlo exige siempre inventar”.

do blog alucinado do enrique vila-matas

never resist an impulse, sabrina

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the sea is the possibility

PattiSmith-Bowery1976-godlis

spirit in the dark

hoje trabalhei muito mal, muito pouco. as segundas-feiras são sempre mormacentas. mas gosto de começar a semana, gosto de me sentir limpa quando começo a semana. faxinei a casa toda com muita calma, a cadela me acompanhando por todos os cômodos. ela gosta de ser aspirada, levanta a patinha como quem diz, “anda, vá lá, passa lá isso aqui nas minhas costinhas”. e eu acato, porque sou uma vendida e não me aguento com os olhinhos tristes chantagistas que ela tem. depois saímos pra dar uma voltinha, andamos pelas ruas do bairro como duas jovens cocotas felizes enquanto as pessoas voltavam com ares pesados dos seus trabalhos.

trinta e sete abas abertas, nada lido; ontem abri sticky notes novos e ainda criei mais algumas categorias pra organizá-los. meu caos organizado continua a ser um caos, só que sempre organizado. mas é assim, vou meditar e respiro fundo e agradeço a mim mesma muitas vezes porque tropeçando eu cheguei na vida que queria. lá fora é noite de superlua e aqui dentro só a claridade bonita entrando pela janela. lembrei do shared patio da miranda july em que a personagem neurotiquinha apaixonada pelo vizinho coreano tenta emplacar suas sugestões otimistas na revista direcionada à soropositivos que ela imprime, mas nunca consegue — tenta emplacar o vizinho também, mas a coisa toda corre mal, aquela velha auto-depreciaçãozinha típica da july. as sugestões dela são a cara da grande tanga & grande maravilha que é a salvação das nossas pobres almas através da autoajuda:

“Do you have doubts about life? Are you unsure if it is worth the trouble? Look at the sky: that is for you. Look at each person’s face as you pass on the street: those faces are for you. And the street itself, and the ground under the street, and the ball of fire underneath the ground: all these things are for you. They are as much for you as they are for other people. Remember this when you wake up in the morning and think you have nothing. Stand up and face the east. Now praise the sky and praise the light within each person under the sky. It’s okay to be unsure. But praise, praise, praise.”

e isso aqui é um disco inteiro de belezas.